Os desafios de desenvolvimento do Brasil têm origem em seu próprio descobrimento oficial, quando colônia de Portugal. Uma colônia, que ao contrário de outros países, não foi de povoamento, e sim de exploração. A falta de um projeto de nação, já que ao colonizador não interessava investir no país (ao contrário, mantê-lo dependente da monarquia era a política de Estado), resultou em enorme atraso social e econômico. É somente após, e devido à vinda da família real ao Brasil, que são estabelecidas as bases para o início desse projeto. Com a Independência em 1822 e a constituição aprovada 1824, cria-se um plano em torno do que seria o Brasil. Desde então, a história da economia brasileira é marcada por altos e baixos e, desafios que se impõem sobre o objetivo de se tornar uma nação desenvolvida e menos desigual. 

Logo após o seu surgimento, o Estado brasileiro enfrentou sua primeira grande dificuldade econômica, com o declínio e decadência da atividade canavieira e a mineração. Somado a isso, havia também a dívida com os bancos ingleses que o país assumiu de Portugal, como uma das condições para esse reconhecer a sua independência. Em 1824, diante da crise provocada pela baixa nas exportações e também pelas extravagâncias ligadas à vinda da corte ao Brasil, foi realizado o primeiro grande empréstimo internacional. Ele foi concedido pela principal potência da época, a Inglaterra. Era o início da dívida externa. 

Além da situação de estagnação econômica, o país enfrentou disputas internas e externas, como a Guerra da Cisplatina, na qual Argentina e Brasil disputaram o território do Uruguai. Crise econômica e inflação marcaram o período. 

Em 1840 o café impulsionava a economia brasileira, se tornando o principal produto de exportação. Com o seu crescimento estava o do comércio de escravos, que servia para arrecadar dinheiro para o governo. 

Após criar e se beneficiar do tráfico negreiro, a Inglaterra assumiu nessa época a liderança de um movimento abolicionista internacional, que passou a pressionar o Brasil, criando sanções e outras punições ao país. Mesmo assim, o trabalho escravo ainda continuou. A economia cafeeira dependia dele, uma vez que não existiam condições e interesse pelos exploradores em uma relação de trabalho assalariada. Após a abolição, em 1888, os escravos libertos foram abandonados à própria sorte e as plantações de café, onde esses não haviam sido substituídos por imigrantes europeus, ficaram sem trabalhadores. Começava, por uma série de razões, uma crise econômica, social e política, que terminou na Proclamação da República, em 1889.

Apesar das promessas e de avanços importantes no começo do novo governo, como uma mudança institucional e o início de alguma industrialização, a política para a economia ocasionou uma bolha de crédito, que levou a uma nova crise financeira. Ela ficou conhecida como Crise do Encilhamento.

No início do século XX, havia um lento processo de industrialização associado ao café. Todavia, o crescimento econômico também estava relacionado aos empréstimos concedidos por bancos ingleses e, consequentemente, pela manutenção e aumento da dívida externa. A Primeira Guerra Mundial, em 1914, mudou a hegemonia global e impactou a economia brasileira, mostrando a fragilidade dela, que era altamente dependente da exportação do café. A crise de 1929 vai confirmar esse diagnóstico, uma vez que os países pararam de importar produtos brasileiros e houve o declínio dos preços do produto e da atividade agrícola. Por conta do conflito mundial, no entanto, o país percebeu a necessidade de investir na indústria, principalmente na produção de substituição de importações.

Em 1930, Getúlio Vargas assume o poder e tem início a política de um Estado Nacional Desenvolvimentista. Este, se consagra no governo de Juscelino Kubitschek, que termina com críticas à economia devido ao aumento da dívida externa, concentração de renda, desigualdade e inflação em alta. Em 1958, ainda em seu governo, é adotado o primeiro plano de estabilização monetária com o objetivo de reduzir as taxas de inflação. Ele é abandonado em 1959. Nos governos seguintes, com o ritmo de crescimento decrescente e a inflação alta, surge o Plano Trienal. 

Durante o golpe militar de 1964, o Brasil passa pelo “milagre brasileiro”, atingindo altos índices de desenvolvimento econômico que, no entanto, são liquidados nas duas crises do petróleo, que culminaram na crise da dívida externa e no aumento da inflação. 

Na restauração da democracia, os problemas persistiram. Os planos de estabilização monetários criados para o controle da inflação atravessaram governos. Do Cruzado (1986) ao Real (1994) foram oito anos de tentativa e erro até conseguir a estabilização, que voltou a ser ameaçada com a Crise Cambial, em 1999.

Passados os anos, economia se recuperou, mas foi abalada novamente por um evento externo: a crise financeira de 2008. Mesmo voltando ao crescimento posteriormente, o abandono do tripé macroeconômico e a adoção de políticas equivocadas, somado ao contexto de desaceleração da economia ao nível internacional, levaram a uma nova crise nos anos seguintes. 

Atualmente, o Brasil continua perseguindo seu objetivo de se tonar uma nação desenvolvida, mas a década de 2011 a 2020 já é considerada “a pior da história para a economia brasileira”. Os problemas estruturais do país se agravaram com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus e o total descontrole diante da doença, que já matou mais de 254 mil pessoas. 

Inflação, desemprego, aumento da dívida pública, entre outros problemas advindos da necessidade de isolamento social, são os desafios do presente e do futuro do Brasil.

As buscas pelo equilíbrio das contas públicas, pelo desenvolvimento e por maior igualdade, permanecem objetivos necessários ao país, que vem regredindo em muitos aspectos. 

Falta ainda ao Brasil, um projeto. Um plano para o presente, que dirija o país ao futuro. Ao contrário do que foi feito até aqui, no entanto, esse projeto precisa ser inclusivo, verdadeiramente democrático e pensado a longo prazo.


O post contém referências no corpo do texto e outros nos seguintes links:

Ciclo do Café 

A Grande Crise da Independência

http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2017/03/ibge-confirma-o-pior-desastre-economico-da-historia-do-brasil.html

Série ‘ECONOMIA BRASILEIRA – A história contada por quem a fez’/ Exibição: TV Cultura e Canal Futura.

Participe do Curso Intensivo “Entendendo o Brasil: Economia para Não Economistas”

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