Entre maio e junho, países de origem dos imigrantes não eram apenas os do triângulo norte da América Central; julho registrou maior número de encontros em um mês, desde 2000

O soft power americano sempre motivou pessoas a irem para o país, seja em busca de melhores condições de vida, seja para fugir de crises econômicas e/ou humanitárias. No entanto, de acordo com a WOLA —Washington Office on Latin America — organização de pesquisa e defesa dos direitos humanos nas Américas —, o fluxo migratório que o país tem recebido, além de fazer parte de um período histórico de alta imigração, tem características únicas: em maio e junho, cerca de um quarto dos imigrantes encontrados na fronteira, EUA/México — e quase metade dos que chegaram com famílias — pela primeira vez, não eram apenas do México, El Salvador, Guatemala ou Honduras.

Os países de origem, muitas vezes, não têm relação consular com os EUA ou são muito distantes, fazendo com que essas pessoas não sejam deportadas tão facilmente. Além disso, aumentando os desafios da administração atual, dados da Alfândega e Proteção das Fronteiras (CBP) dos Estados Unidos, divulgados em agosto, apontavam que, em julho, 212.672 pessoas foram encontradas na fronteira, o maior número mensal desde 2000. Estes números incluem indivíduos que tiveram, pelo menos, um encontro anterior nos últimos doze meses (27%). Já o total de travessias únicas, ficou em 154.288. A maioria, 52%, são adultos solteiros (110.443). No acumulado do ano, 845.307 indivíduos únicos já foram encontrados, quantidade superior ao mesmo período de 2019, quando foi registrado 796.400.

Os efeitos da pandemia de covid-19 têm tido um papel importante para esse deslocamento. A quantidade de adultos solteiros que tentaram cruzar a fronteira chegou a ser cinco vezes maior do que antes da crise sanitária, que devastou economias pelo mundo. Além deles, no entanto, há também muitas famílias e crianças desacompanhadas: 82.966 e 18.962, respectivamente, segundo os dados do CBP. O mês de julho registou um aumento de 24% no número de encontros de crianças desacompanhadas. Já entre famílias, o aumento foi de 49%.

Este momento de imigração historicamente alta está relacionado às questões econômicas, mas também às restrições de mobilidade provocadas pela pandemia que, em associação à política adotada pelo ex-presidente Donald Trump, levam, agora, um fluxo maior de pessoas tentarem a vida nos Estados Unidos, sob a administração de Joe Biden.

Além disso, muitos estão fugindo de governos autoritários, crises humanitárias, políticas ou econômicas e da desesperança provocada pela associação de um ou mais destes fatores com os resultados da pandemia. Caso, por exemplo, dos brasileiros, cujo deslocamento vem batendo recorde. Um novo elemento, no entanto, deve colocar não só os Estados Unidos, mas o mundo todo, em alerta: as catástrofes climáticas, cada vez mais recorrentes, impactam drasticamente a vida nas nações afetadas, principalmente as mais pobres.

É o caso do Haiti. O país, que já estava em uma situação delicada com a morte do presidente Jovenel Moïse, em julho deste ano, além da escassez de alimentos e aumento nas taxas de violência, enfrenta a destruição deixada por dois terremotos e pela passagem do ciclone tropical Grace. Tragédias como estas devem pressionar ainda mais o deslocamento dos haitianos — que estão entre os imigrantes fora do triângulo norte da América Central que tentam chegar aos EUA — nos próximos meses.


Fontes:

Whola Org;

CBP Gov;

Cdn.cnn.com

Estadão;

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